domingo, 19 de agosto de 2012

que dor imensa de estômago.

vejo-os a passar todos os dias, sorrio e até lhes falo. em nada sou impessoal e antipática. falam-me de arte e poesia e eu retribuo com arte e poesia.

dor, dor imensa de estômago.

falam-me do que fazem e do que ouvem. com quem andam e do que escondem e eu vislumbro por entre todos os vocábulos a pergunta mestre: e tu, que tens feito.

dor, ah! tamanha dor de estômago.

eu? nada. responderia com toda a franqueza. eu quedo-me no frio e não me movo. as minhas palavras enrrigessem e colam-se às paredes da garganta e lá ficam.
 ao nada atribuo o meu medo do todo.

ah! não suporto tanta dor.

sinto-me vomitar quando os vejo. penso talvez em matar. matar todos os filhos da puta que em coragem, começam nessa feroz demanda de se tornarem mais sacanas que eu. e eu, que dei tudo para o mal, fui atirada para o bem, porque ao nada me dei e no nada morri sem. claro, me mover.

e o estômago que agora me arde será um monte de vísceras mais tarde. porque a faca do meu nada destrói tudo aquilo que me move.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012


Temo cair na tentação
sempre que te vejo
da minha boca nem uma palavra
do meu corpo sempre o desejo,
que me corrompe da alma até ao ensejo,
de te ver

sem saber, me escondo nas palavras
tenho em mãos todo o poder,
quero destruir todo o teu ego,
até as tuas cinzas se perderem no chão.
Quero finalmente
certamente,
sentir toda a tua escuridão.

Arranhas com o teu sorriso,
as minhas costas planas,
e entras em mim por todos os poros.
Ao meu ouvido
sentindo, me dizes odiar
todas as palavras que escrevo,
e eu , sem chorar
não me atrevo
a emitir um único som

odeio-te, odeias-me e nos vocábulos
que emitimos , as facas estão presentes.
aguças o teu engenho
e cravas na minha pele
a lámina espelhada
que construis-te em olhares afiados
ousados
que atiras sobre mim.

Adeus,
digo-te adeus mas volto sempre,
e até corro
de encontro,
à tua navalha que um dia,
me há-de matar.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

"escreve-me."- e eu fecho os olhos e tento-me lembrar de tudo. tento lembrar-me do seu rosto e de tudo o que vi no seu brilho. mantenho o meu corpo pousado no seu abraço. no seu abraço sem tempo, que me dava quando ainda as horas paravam à nossa passagem. e no nosso abraço havia tudo menos o tempo.

fecho os olhos sabendo que afinal os relógios existem. mas por agora tudo parou. porque ao escrever-lhe sei-me parada num sitio onde os minutos duram meses e onde eu posso adormecer sem medo no seu pequeno abraço. sem medo de adormecer por fim.

fecho os olhos e tento -me lembrar de tudo. não me lembro. não me lembro de nada. apenas de sentir tudo e de não pensar em nada. e de fazer apenas o que a vontade me obrigava.

fecho os olhos e vejo. tento guardar na memória o ultimo resto de inércia a que o meu corpo se prendeu. tento . tento. mas acabo por me esquecer. acabo por sentir sem o pensar talvez. tudo parou no segundo em que te senti.

abro os olhos. vejo a sua luz. não me lembro de nada e pouco importa. "escreve-me"- grita de novo, e sem pensar, começo um novo parágrafo.

quinta-feira, 29 de março de 2012

ela disse -lhe ao partir que já mais se esqueceria de todas as promessas que havia deixado para trás. ela disse -lhe que o tempo voava e que tudo voltaria depressa a ser tudo de novo outra vez. ela encheu-lhe o corpo de abraços e de sorrisos e de mentiras que eram tudo menos mentira e só e apenas verdade na sua cabeça. ela agarrou-lhe a mão e sorriu muito baixinho e partiu sem olhar uma vez mais para trás.

ela esqueceu-se de tudo ao partir e o partir foi tudo o que bastou para o tempo não mais voar atrás das esperanças que um dia corroeram o seu corpo.

segunda-feira, 5 de março de 2012

um dia em março foi quanto me bastou para esquecer tudo o que devia esquecer.

mentira. é te impossivel esquecer. recordas cada segundo como se fosse o teu último.

discordância de tempo.

inconstância de passado.

eu tento esquecer. eu tento esquecer o tempo. o tempo não passa por nós. o tempo não me destrói. eu quero sentir a dor do esquecimento.

mágoa.
mágoa.

um dia em março foi quanto me bastou para que me recordasse de tudo o quanto havia conseguido esquecer.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

black

disse ela enquanto escrevia algumas linhas no seu quarto - "quando morrer amanhã de manhã quero que todas as folhas gritem o meu nome, quando for já de noite"
disse-lhe pelo canto de todas as palavras que tinha já alinhadas - "não vais morrer"
sentou -se a meu lado - "amor, já nada é o mesmo. já tudo desapareceu. por isso escreve com a tua caneta o meu nome, e canta-o quando desaparecer."

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

kc

- adeus
- vais embora.
- vou.
- para onde?
- para longe, longe daqui .
- não te quero longe.
- não me queres perto.
- eu tenho medo.
- e não temos todos medo ?
- o meu é maior que o teu.
- não estás aqui para o sentir.
- não o quero sentir.
- eu vou embora.
- não me deixes aqui sozinha.
- e a mim quem me protege?
- eu, eu protejo.
- tu tens medo. tu tens medo que eu vá ou que fique. eu devia ficar aqui parada.
- então fica. mas pelo menos tenta, tenta ficar por aqui . só mais um dia. não, não te vás.
- eu fico .
- obrigada.


partirei sem avisar- pensei em segredo enquanto respirava fundo no seu abraço.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

deixa de ser tu e serás tudo.
deixa de fazer o que gostas e serás tudo.
deixa de caminhar ao teu ritmo e usa o ritmo dos outros e serás tudo.

deixa de pensar e serás, serás tudo, tudo aquilo que não representa o todo que deverias ser. porque o tudo está em seres tu e só tu mesmo.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

foge foge comigo. eu e tu para longe. longe da praia para outra praia e ainda para uma outra mais longe.longe de tudo e só e apenas com o nosso sol.
foge foge comigo - gritas-te. eu não podia e fugi de mim. e fugi da vontade que tinha em fugir contigo. na tua mão apenas a oferta e eu fugi para nada aceitar.

eu não posso fugir . eu não posso querer escapar daqui. não contigo. nunca contigo porque nada é suficiente. nada chega ao teu nome, aos teus olhos e à tua boca. nada é suficiente. dentro de mim tudo me grita- foge! mas eu não tenho a força para te arrancar sorrisos.

agora nesta praia onde me sento e escrevo rasgo folhas cheias de letrinhas para ti. atiro-as à agua mas todas elas voltam nas ondas até mim.

voltas sempre ao meu pensamento irremediavelmente.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

em sonhos e só em sonhos te sinto perto, te sinto perto de mim.

por isso quero dormir e só acordar na realidade que apenas os meus olhos fechados conseguem ver.