terça-feira, 24 de janeiro de 2012

o amor

mato-te hoje sentimento bastardo.
hoje
hoje
hoje

hoje...

hoje tenho sono, amanhã, mato-te amanhã.

a cor

eu sou o azul do teu céu meu amor. colhi a minha cor directamente da tua água mais pura.
para mim, nunca o azul foi frio. trocaria todo o calor do meu vermelho pelo teu, meu , nosso azul brilhante.
eu sou o azul. tomarei essa cor por apelido. desejo em toda a minha existência cravar com força esse azul metálico que me sai de um só grito.
serei eu o teu azul, serei eu , o próprio e único azul. Olho de soslaio para todas as outras cores. eu tenho o poder dos oceanos. afogas te em mim e eu te desejo em todo este meu azul altivo e soberano.




"I swam on your eyes and now I'm drowning at the waves of indiference"

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

a inércia

o meu pensamento bloqueia todo o meu movimento.

e eu não vou admtir o que me consome por estes tempos.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

o corte

eu vou cortar a pele molhada com a lámina aguçada da minha loucura.
eu vou
eu vou
eu não volto
eu só quero e pelo menos desejo não mais voltar.
eu vou cortar tudo o que esteja inteiro e deixar tudo pelas metades.
eu vou
eu vou
eu não vou voltar
eu não quero voltar
desapareço nas entranhas do medo, e o corte no meu pescoço irá empurrar o meu corpo até à escuridão.
eu quero.
eu quero.
eu vou. e tu sabes. nós sabemos, que quando eu quero...

eu vou.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

a culpa

eu quero,
não posso,
no entanto,
querer,
é sacrilégio,
pecado,
e eu,
com culpa,
me calo,
novamente.

eu sinto,
tudo isto,
na boca o
querer,
é erro,
dano,
e eu,
com culpa,
me calo,
outra vez.

eu vejo,
teu corpo
e o sei
querer,
da tua
boca o canto,
e eu nego,
e com culpa,
me calo
para sempre.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

amberleaf 2.0

quando fecho os olhos já não é escuro, aquilo que vejo. a noite não mais me cega e o toque do frio deixou há muito de entorpecer o meu corpo.
agora, sempre que te sinto perto, toda a minha visão se encendeia e eu vejo , eu sei que tudo vejo, só por sentir-te presente.
eu tenho medo e penso. eu tenho medo e caminho sozinha. tento pensar apenas no caminho. tento pensar apenas nas botas que me cortam os pés e na roupa que me pesa às costas. tento pensar até nos braços que pendem do meu corpo e no coração que se solta, cada vez mais lento no meu corpo. tento pensar em tudo isso e de novo penso em ti. e tento de novo e de novo me abstrair e novo caio também na ânsia de te querer ver.
hoje sinto de novo o escuro, não estás aqui. o teu corpo surge bem longe de mim, e eu sinto -me perder na recordação dos dias.
hoje apenas escrevo aquilo que penso. penso o que não digo e o que não te digo é tudo aquilo que consigo sentir agora. caminho no escuro e construo de novo as barreiras do meu pensamento. eu não quero sentir, eu não quero sentir de novo o escuro.

eu não quero sentir de novo todo este frio.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

cinco

despedi-me da noite, do passado, das memórias e tentei andar para sul. para o lugar onde pernoitam as verdades e onde todos os sonhos são esquecidos.
tentei caminhar em frente. tentei me sentir eu mesma. tentei manter um único sentido e permanecer assim, intacta e sóbria mas só te vi a ti pelo meio da penumbra. tropecei em meus pés e tentei fugir do teu abraço quente. corri para norte , onde o verde preenchia os meus olhos e me arrefecia o corpo. a tua sombra tentou agarrar as minhas pernas, mas eu corri mais depressa e mais depressa corri, quando te senti cansada atrás do pó que deixava para trás.
vi-me de súbito desperta e reconheci todos os meus músculos latejarem em ligeiro sofrimento. caminhei lado a lado com a dor que se alojava a cada passo com que me movia. andei para o norte e para o verde das árvores. senti a cada passo a liberdade. senti nos pés , uma nova vontade de vislumbrar o mundo.
levantei a cabeça e vi o azul amarelecido do fim do dia. o mar ao fundo murmurava a saudade e eu senti-me viva de novo.
levantei de novo os olhos e vi-a pela primeira vez. sorri para o mar que escorria dos ombros e para a areia fina que lhe banhava os cabelos. sorri, porque não a vi com os olhos, mas sim com o meu próprio sorriso.

sorri , porque sorrir é a única maneira de a olhar com a alma.

sábado, 5 de novembro de 2011

vinte e cinco

é hoje

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

tu continuas aqui. dirás: morri. prontamente te direi : toco a tua alma a cada minuto contigo..

lembras-te do cheiro da água morna de março, a jorrar da fonte esverdeada onde afundavas os teus pensamentos, onde afundavas os teus pensamentos nos meus?

lembras-te de andarmos perdidas pelo meio das ruas há muito conhecidas, e de não reconhecer-mos luz entre as nossas sombras? eu lembro-me da verdade. lembro-me da verdade que vi. e a verdade veio de ti e só de ti.

murmuras: sem mim nada muda, sem mim nada muda. tudo permanece igual, é indiferente. tudo me é já tão indiferente. eu sinto as tuas palavras mas não as ouço, já só me lembro das palavras nos teus olhos, olhos que me gritam loucura. e já só vejo loucura, já só vejo loucura da felicidade temporária que me trazias aos sentidos.

eu nunca fui feliz. sei-o também, nunca foste feliz. em momentos, confesso porém, julguei o ser. em momentos pensei que também o eras. não, nunca fomos. nós sempre fomos menos que o nada que nos compunha.


sorrio. sorrio ao pensar em ti. por ti nada sinto. por ti o dia que madrugava feliz em mim, já não é dia. só há noite. uma ligeira noite azul em nós. nada sinto por ninguém. nada sinto por mim.

e por ti, a expressão é parca para negar tudo aquilo que escondo sentir. sentir por ti.



o vazio, o vazio, o vazio, o vazio, o vazio.
tudo se repete.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

são tão novas. ai tão novas
que os pedaços de tecido que carregam sobre o corpo
lhes rodam sobre a pele e se rasgam aos poucos.
são tão novas. ai tão novas
e já carregam olhos escuros de negro cansaço
fazendo vénias discretas ao olhar de quem passa
são tão novas. ai tão novas
e já fornicam pelos cantos matando o cio
a cães aluados que lhes tiram a vida a cada segundo
a cada segundo orgásmico que com elas passam.
vi-a
eu via -a passando de arrasto pela estação dos comboios
reconheci
eu reconhecia-a pela sombra , pela sombra do seu ventre cheio
eu vi
os abortos sucessivos e os passos rompendo cordões umbilicais e vida e mais vida
eu vi
o sorriso sufocado e a esperança
nelas vejo sempre a esperança
a esperança que não há em mim.

reconheci-a mas, os seus olhos não vem mais ninguém.
só a verdade nos seus movimentos vislumbra a cor do dia.
sangra
sangra por entre as pernas
mas ela, não sente, já não sente nada.

a minha alma divide-se assim que vejo de longe o fumo do cinzento da cidade.
o comboio parte para longe
e ela sentada espera a saudade
espera a saudade que já não sabe sentir.