tu continuas aqui. dirás: morri. prontamente te direi : toco a tua alma a cada minuto contigo..
lembras-te do cheiro da água morna de março, a jorrar da fonte esverdeada onde afundavas os teus pensamentos, onde afundavas os teus pensamentos nos meus?
lembras-te de andarmos perdidas pelo meio das ruas há muito conhecidas, e de não reconhecer-mos luz entre as nossas sombras? eu lembro-me da verdade. lembro-me da verdade que vi. e a verdade veio de ti e só de ti.
murmuras: sem mim nada muda, sem mim nada muda. tudo permanece igual, é indiferente. tudo me é já tão indiferente. eu sinto as tuas palavras mas não as ouço, já só me lembro das palavras nos teus olhos, olhos que me gritam loucura. e já só vejo loucura, já só vejo loucura da felicidade temporária que me trazias aos sentidos.
eu nunca fui feliz. sei-o também, nunca foste feliz. em momentos, confesso porém, julguei o ser. em momentos pensei que também o eras. não, nunca fomos. nós sempre fomos menos que o nada que nos compunha.
sorrio. sorrio ao pensar em ti. por ti nada sinto. por ti o dia que madrugava feliz em mim, já não é dia. só há noite. uma ligeira noite azul em nós. nada sinto por ninguém. nada sinto por mim.
e por ti, a expressão é parca para negar tudo aquilo que escondo sentir. sentir por ti.
o vazio, o vazio, o vazio, o vazio, o vazio.
tudo se repete.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
são tão novas. ai tão novas
que os pedaços de tecido que carregam sobre o corpo
lhes rodam sobre a pele e se rasgam aos poucos.
são tão novas. ai tão novas
e já carregam olhos escuros de negro cansaço
fazendo vénias discretas ao olhar de quem passa
são tão novas. ai tão novas
e já fornicam pelos cantos matando o cio
a cães aluados que lhes tiram a vida a cada segundo
a cada segundo orgásmico que com elas passam.
vi-a
eu via -a passando de arrasto pela estação dos comboios
reconheci
eu reconhecia-a pela sombra , pela sombra do seu ventre cheio
eu vi
os abortos sucessivos e os passos rompendo cordões umbilicais e vida e mais vida
eu vi
o sorriso sufocado e a esperança
nelas vejo sempre a esperança
a esperança que não há em mim.
reconheci-a mas, os seus olhos não vem mais ninguém.
só a verdade nos seus movimentos vislumbra a cor do dia.
sangra
sangra por entre as pernas
mas ela, não sente, já não sente nada.
a minha alma divide-se assim que vejo de longe o fumo do cinzento da cidade.
o comboio parte para longe
e ela sentada espera a saudade
espera a saudade que já não sabe sentir.
que os pedaços de tecido que carregam sobre o corpo
lhes rodam sobre a pele e se rasgam aos poucos.
são tão novas. ai tão novas
e já carregam olhos escuros de negro cansaço
fazendo vénias discretas ao olhar de quem passa
são tão novas. ai tão novas
e já fornicam pelos cantos matando o cio
a cães aluados que lhes tiram a vida a cada segundo
a cada segundo orgásmico que com elas passam.
vi-a
eu via -a passando de arrasto pela estação dos comboios
reconheci
eu reconhecia-a pela sombra , pela sombra do seu ventre cheio
eu vi
os abortos sucessivos e os passos rompendo cordões umbilicais e vida e mais vida
eu vi
o sorriso sufocado e a esperança
nelas vejo sempre a esperança
a esperança que não há em mim.
reconheci-a mas, os seus olhos não vem mais ninguém.
só a verdade nos seus movimentos vislumbra a cor do dia.
sangra
sangra por entre as pernas
mas ela, não sente, já não sente nada.
a minha alma divide-se assim que vejo de longe o fumo do cinzento da cidade.
o comboio parte para longe
e ela sentada espera a saudade
espera a saudade que já não sabe sentir.
domingo, 16 de outubro de 2011
tudo muito muito verde
às vezes grito sozinha. se grito sozinha no meio do verde, das árvores verdes, do dia verde, sei que apesar de alto gritar, nunca ninguém me há de ouvir. ninguém ouve o silêncio. as pessoas estão distraidas , tão distraidas com os seus próprios ecos que se recusam a ouvir o meu grito.
o meu grito.
é só dor no meu grito.
o meu grito.
é só confusão no meu grito.
aqui, só o verde ouve o latejar das minhas cordas vocais. perco-me nas cores, perco -me na cor, ouço o som do meu grito na tua cor. verde, verde palpitante, vejo o verde em ondas semi circulares. desapareço. transformo-me no som. já não sou eu. agora sou apenas o grito, o grito que trespaça os teus ouvidos. eu sei e entendo. ouves e entendes também. o meu grito é a tua dor também. o meu grito é o teu eco. tentas continuar mas agora é impossivel conter o teu grito também.
gritas. da tua boca já só sai silêncio.
choras. olhas para mim. o silêncio entoa no teu grito. as tuas lágrimas amor, as tuas lágrimas são verdes como o meu abismo.
o meu grito.
é só dor no meu grito.
o meu grito.
é só confusão no meu grito.
aqui, só o verde ouve o latejar das minhas cordas vocais. perco-me nas cores, perco -me na cor, ouço o som do meu grito na tua cor. verde, verde palpitante, vejo o verde em ondas semi circulares. desapareço. transformo-me no som. já não sou eu. agora sou apenas o grito, o grito que trespaça os teus ouvidos. eu sei e entendo. ouves e entendes também. o meu grito é a tua dor também. o meu grito é o teu eco. tentas continuar mas agora é impossivel conter o teu grito também.
gritas. da tua boca já só sai silêncio.
choras. olhas para mim. o silêncio entoa no teu grito. as tuas lágrimas amor, as tuas lágrimas são verdes como o meu abismo.
sábado, 1 de outubro de 2011
marlboro 1.0
a cura está em mim e só em mim. fumo um cigarro e parto no fumo também. a cura está no sopro também. a solidão fortalece e os cigarros continuam imortais mas tu partis-te e a tua onda de vapor não passa mais de mera recordação feliz. a cura está no adeus. a cura está no adeus.
hoje deixo o meu coração para trás.
hoje deixo o teu amor para trás.
hoje deixo o teu fumo para trás.
tudo se repete, até a minha felicidade.
hoje deixo o meu coração para trás.
hoje deixo o teu amor para trás.
hoje deixo o teu fumo para trás.
tudo se repete, até a minha felicidade.
domingo, 18 de setembro de 2011
a morte
mata-me de um sopro, mas mata-me.
mata-me, até não ouvir mais, do mundo preciso apenas de um final, nada mais do que isso.
insistes e dizes: vive. eu não quero , não posso, e não quero, e de novo te digo: mata-me. cruzas o teu punhal sobre a minha face, mas recuas, a medo e com medo me dizes: vive.
eu perdoo-te, tudo eu consigo por fim perdoar, desde que o teu veneno me corrompa por fim. eu há muito deixei de viver, há muito deixei de te ouvir dizer : vive.
por fim, das tuas lágrimas vislumbro a minha e única resolução. se é de morrer que vivo, mais vale desaparecer.
eu morri mas continuas a caminhar sobre a minha pele, a minha pele tão gasta das memórias, dos dias gastos a viver na sombra e nos buracos, sem conhecer manhã ou luz na alma.
eu morri, e por último te deixo , o meu eco:
"em vão, te prometo meu amor, hei-de sempre viver no silêncio das tuas palavras."
mata-me, até não ouvir mais, do mundo preciso apenas de um final, nada mais do que isso.
insistes e dizes: vive. eu não quero , não posso, e não quero, e de novo te digo: mata-me. cruzas o teu punhal sobre a minha face, mas recuas, a medo e com medo me dizes: vive.
eu perdoo-te, tudo eu consigo por fim perdoar, desde que o teu veneno me corrompa por fim. eu há muito deixei de viver, há muito deixei de te ouvir dizer : vive.
por fim, das tuas lágrimas vislumbro a minha e única resolução. se é de morrer que vivo, mais vale desaparecer.
eu morri mas continuas a caminhar sobre a minha pele, a minha pele tão gasta das memórias, dos dias gastos a viver na sombra e nos buracos, sem conhecer manhã ou luz na alma.
eu morri, e por último te deixo , o meu eco:
"em vão, te prometo meu amor, hei-de sempre viver no silêncio das tuas palavras."
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
se a poesia é a casa
eu quero ser o fantasma
que te persegue em dias
de maior calor
sente, sente meu amor
o fervor
com que a saudade
me faz desejar até ao mais infimo do teu corpo
pedaço divino
que me entregas quando faltam as palavras, quando faltam os beijos, quando falta tudo menos o desejo
pois esse meu amor é imortal
infernal
como o teu sangue corrompido
despido de noite
e vazio, vazio de pudores de menina de liceu
filho da puta de breu
da noite que já nem os olhos enxergo
se sou poeta é para bramir aos céus que te amo
femea fatal impura
desde a cama
até à pedra dura
do chão
onde gemes segredos
segundo perceitos que tu própria inventas ao meu ouvido
dizes: é para ti, para ti que grito poeta
se na amargura confiasse em ti
certamente não seriamos mais corpos mas sentidos.
-------------
"Não acredito que duas pessoas poderiam ter sido tão felizes quanto nós fomos.
"
eu quero ser o fantasma
que te persegue em dias
de maior calor
sente, sente meu amor
o fervor
com que a saudade
me faz desejar até ao mais infimo do teu corpo
pedaço divino
que me entregas quando faltam as palavras, quando faltam os beijos, quando falta tudo menos o desejo
pois esse meu amor é imortal
infernal
como o teu sangue corrompido
despido de noite
e vazio, vazio de pudores de menina de liceu
filho da puta de breu
da noite que já nem os olhos enxergo
se sou poeta é para bramir aos céus que te amo
femea fatal impura
desde a cama
até à pedra dura
do chão
onde gemes segredos
segundo perceitos que tu própria inventas ao meu ouvido
dizes: é para ti, para ti que grito poeta
se na amargura confiasse em ti
certamente não seriamos mais corpos mas sentidos.
-------------
"Não acredito que duas pessoas poderiam ter sido tão felizes quanto nós fomos.
"
domingo, 4 de setembro de 2011
Fogo
eu tenho força, eu sou a força, a tua força, a dor que trazes no peito. nada mais temo ser, do que fogo para encher todos os teus vazios de força.
nada mais, nada mais sou do que fogo, e se a vida fosse toda a tua água, de certo não mais eu existiria.
eu luto . eu tento lutar. em vão luto, e nada muda. porque no fundo eu sou apenas fumo. apenas cinza, besta vulcanica adormecida.
serei fogo quando atingir bem ao longe a tua calma.
serei fogo quando vencer sozinha a tempestade.
serei fogo quando as minhas mãos queimarem o meu coração gelado.
serei fogo quando o mar se abrir, quando tudo se misturar em mim.
so assim,
serei fogo, serei fogo em ti.
nada mais, nada mais sou do que fogo, e se a vida fosse toda a tua água, de certo não mais eu existiria.
eu luto . eu tento lutar. em vão luto, e nada muda. porque no fundo eu sou apenas fumo. apenas cinza, besta vulcanica adormecida.
serei fogo quando atingir bem ao longe a tua calma.
serei fogo quando vencer sozinha a tempestade.
serei fogo quando as minhas mãos queimarem o meu coração gelado.
serei fogo quando o mar se abrir, quando tudo se misturar em mim.
so assim,
serei fogo, serei fogo em ti.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
odeio estas putas. esta gente.
odeio as tanto.
sim odeio-as.
não as conheço mas sim, odeio e odeio e vou sempre odiar, porque para mim não valem nada.
nada vale nada, tudo chegou ao zero, cada vez ao zero, cada vez menos tudo o que eu sonhei.
eu já não sonho.
eu já não sonho com as putas que entorpeciam os meus passos. que faziam gritar velhos no cio, e que me olhavam de esguelha como se o mundo fosse meu. que a inveja é o que corroi a humanidade.
como as odeio, putas.
putas tanto putas como na minha melancolia. já não é tristeza , é suicidio. já sou angustia porque de outra forma cansa mais, desgasta mais e mata mais.
putas.
sou tão puta quanto elas , putas , empacotadas e enrrafadas, enlatadas e rotuladas numa qualquer prateleira, numa qualquer merda assim.
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