às vezes grito sozinha. se grito sozinha no meio do verde, das árvores verdes, do dia verde, sei que apesar de alto gritar, nunca ninguém me há de ouvir. ninguém ouve o silêncio. as pessoas estão distraidas , tão distraidas com os seus próprios ecos que se recusam a ouvir o meu grito.
o meu grito.
é só dor no meu grito.
o meu grito.
é só confusão no meu grito.
aqui, só o verde ouve o latejar das minhas cordas vocais. perco-me nas cores, perco -me na cor, ouço o som do meu grito na tua cor. verde, verde palpitante, vejo o verde em ondas semi circulares. desapareço. transformo-me no som. já não sou eu. agora sou apenas o grito, o grito que trespaça os teus ouvidos. eu sei e entendo. ouves e entendes também. o meu grito é a tua dor também. o meu grito é o teu eco. tentas continuar mas agora é impossivel conter o teu grito também.
gritas. da tua boca já só sai silêncio.
choras. olhas para mim. o silêncio entoa no teu grito. as tuas lágrimas amor, as tuas lágrimas são verdes como o meu abismo.
domingo, 16 de outubro de 2011
sábado, 1 de outubro de 2011
marlboro 1.0
a cura está em mim e só em mim. fumo um cigarro e parto no fumo também. a cura está no sopro também. a solidão fortalece e os cigarros continuam imortais mas tu partis-te e a tua onda de vapor não passa mais de mera recordação feliz. a cura está no adeus. a cura está no adeus.
hoje deixo o meu coração para trás.
hoje deixo o teu amor para trás.
hoje deixo o teu fumo para trás.
tudo se repete, até a minha felicidade.
hoje deixo o meu coração para trás.
hoje deixo o teu amor para trás.
hoje deixo o teu fumo para trás.
tudo se repete, até a minha felicidade.
domingo, 18 de setembro de 2011
a morte
mata-me de um sopro, mas mata-me.
mata-me, até não ouvir mais, do mundo preciso apenas de um final, nada mais do que isso.
insistes e dizes: vive. eu não quero , não posso, e não quero, e de novo te digo: mata-me. cruzas o teu punhal sobre a minha face, mas recuas, a medo e com medo me dizes: vive.
eu perdoo-te, tudo eu consigo por fim perdoar, desde que o teu veneno me corrompa por fim. eu há muito deixei de viver, há muito deixei de te ouvir dizer : vive.
por fim, das tuas lágrimas vislumbro a minha e única resolução. se é de morrer que vivo, mais vale desaparecer.
eu morri mas continuas a caminhar sobre a minha pele, a minha pele tão gasta das memórias, dos dias gastos a viver na sombra e nos buracos, sem conhecer manhã ou luz na alma.
eu morri, e por último te deixo , o meu eco:
"em vão, te prometo meu amor, hei-de sempre viver no silêncio das tuas palavras."
mata-me, até não ouvir mais, do mundo preciso apenas de um final, nada mais do que isso.
insistes e dizes: vive. eu não quero , não posso, e não quero, e de novo te digo: mata-me. cruzas o teu punhal sobre a minha face, mas recuas, a medo e com medo me dizes: vive.
eu perdoo-te, tudo eu consigo por fim perdoar, desde que o teu veneno me corrompa por fim. eu há muito deixei de viver, há muito deixei de te ouvir dizer : vive.
por fim, das tuas lágrimas vislumbro a minha e única resolução. se é de morrer que vivo, mais vale desaparecer.
eu morri mas continuas a caminhar sobre a minha pele, a minha pele tão gasta das memórias, dos dias gastos a viver na sombra e nos buracos, sem conhecer manhã ou luz na alma.
eu morri, e por último te deixo , o meu eco:
"em vão, te prometo meu amor, hei-de sempre viver no silêncio das tuas palavras."
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
se a poesia é a casa
eu quero ser o fantasma
que te persegue em dias
de maior calor
sente, sente meu amor
o fervor
com que a saudade
me faz desejar até ao mais infimo do teu corpo
pedaço divino
que me entregas quando faltam as palavras, quando faltam os beijos, quando falta tudo menos o desejo
pois esse meu amor é imortal
infernal
como o teu sangue corrompido
despido de noite
e vazio, vazio de pudores de menina de liceu
filho da puta de breu
da noite que já nem os olhos enxergo
se sou poeta é para bramir aos céus que te amo
femea fatal impura
desde a cama
até à pedra dura
do chão
onde gemes segredos
segundo perceitos que tu própria inventas ao meu ouvido
dizes: é para ti, para ti que grito poeta
se na amargura confiasse em ti
certamente não seriamos mais corpos mas sentidos.
-------------
"Não acredito que duas pessoas poderiam ter sido tão felizes quanto nós fomos.
"
eu quero ser o fantasma
que te persegue em dias
de maior calor
sente, sente meu amor
o fervor
com que a saudade
me faz desejar até ao mais infimo do teu corpo
pedaço divino
que me entregas quando faltam as palavras, quando faltam os beijos, quando falta tudo menos o desejo
pois esse meu amor é imortal
infernal
como o teu sangue corrompido
despido de noite
e vazio, vazio de pudores de menina de liceu
filho da puta de breu
da noite que já nem os olhos enxergo
se sou poeta é para bramir aos céus que te amo
femea fatal impura
desde a cama
até à pedra dura
do chão
onde gemes segredos
segundo perceitos que tu própria inventas ao meu ouvido
dizes: é para ti, para ti que grito poeta
se na amargura confiasse em ti
certamente não seriamos mais corpos mas sentidos.
-------------
"Não acredito que duas pessoas poderiam ter sido tão felizes quanto nós fomos.
"
domingo, 4 de setembro de 2011
Fogo
eu tenho força, eu sou a força, a tua força, a dor que trazes no peito. nada mais temo ser, do que fogo para encher todos os teus vazios de força.
nada mais, nada mais sou do que fogo, e se a vida fosse toda a tua água, de certo não mais eu existiria.
eu luto . eu tento lutar. em vão luto, e nada muda. porque no fundo eu sou apenas fumo. apenas cinza, besta vulcanica adormecida.
serei fogo quando atingir bem ao longe a tua calma.
serei fogo quando vencer sozinha a tempestade.
serei fogo quando as minhas mãos queimarem o meu coração gelado.
serei fogo quando o mar se abrir, quando tudo se misturar em mim.
so assim,
serei fogo, serei fogo em ti.
nada mais, nada mais sou do que fogo, e se a vida fosse toda a tua água, de certo não mais eu existiria.
eu luto . eu tento lutar. em vão luto, e nada muda. porque no fundo eu sou apenas fumo. apenas cinza, besta vulcanica adormecida.
serei fogo quando atingir bem ao longe a tua calma.
serei fogo quando vencer sozinha a tempestade.
serei fogo quando as minhas mãos queimarem o meu coração gelado.
serei fogo quando o mar se abrir, quando tudo se misturar em mim.
so assim,
serei fogo, serei fogo em ti.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
odeio estas putas. esta gente.
odeio as tanto.
sim odeio-as.
não as conheço mas sim, odeio e odeio e vou sempre odiar, porque para mim não valem nada.
nada vale nada, tudo chegou ao zero, cada vez ao zero, cada vez menos tudo o que eu sonhei.
eu já não sonho.
eu já não sonho com as putas que entorpeciam os meus passos. que faziam gritar velhos no cio, e que me olhavam de esguelha como se o mundo fosse meu. que a inveja é o que corroi a humanidade.
como as odeio, putas.
putas tanto putas como na minha melancolia. já não é tristeza , é suicidio. já sou angustia porque de outra forma cansa mais, desgasta mais e mata mais.
putas.
sou tão puta quanto elas , putas , empacotadas e enrrafadas, enlatadas e rotuladas numa qualquer prateleira, numa qualquer merda assim.
sábado, 30 de julho de 2011
são heróis e mártires porque nunca erram. nunca erram e nunca erram comigo, porque eu , sim eu, erro mais e mais e nunca acerto. porque eles e elas não têm telhados de vidro, e porque os meus pés e braços estão em chagas e os deles, bem os deles, permanecem imaculados.
e porque eles dão sempre a volta a história, e fazem e refazem tudo como querem, e porque a vontade deles é mais forte, sim é mais forte que os meus pés, e porque os meus pés acabam sempre em sangue. mas os deles, os deles não, permanecem quase sempre imaculados.
perfeitos, tão perfeitos.
e porque eu sou analfabeta, e sofro de iliteracia, mas eles por contrário , são vastos e percorrem o mundo, e eu sou a culpada dos dissabores, mesmo que por eles causados, porque eu sou má , sou besta, mas eles não, imaculados.
perfeitinhos , tão perfeitinhos.
e porque eu sou deprimida, e porque o meu discurso é incoerente , e porque não uso daquelas palavras sóbrias , e não pauso o meu texto com citações de autores mais ou menos desconhecidos, e porque eu não tenho piada, porque um mundo onde a piada existe, não é imaculado.
e não entendem o meu sofrimento, porque o meu sofrimento não tem razão de ser, porque eles podem ser infiéis, mas eu não, eu não posso errar, eu não posso defender-me.
só posso calar, calar , calar e ouvir com atenção a minha culpa, tão e tão imaculada
e porque eles dão sempre a volta a história, e fazem e refazem tudo como querem, e porque a vontade deles é mais forte, sim é mais forte que os meus pés, e porque os meus pés acabam sempre em sangue. mas os deles, os deles não, permanecem quase sempre imaculados.
perfeitos, tão perfeitos.
e porque eu sou analfabeta, e sofro de iliteracia, mas eles por contrário , são vastos e percorrem o mundo, e eu sou a culpada dos dissabores, mesmo que por eles causados, porque eu sou má , sou besta, mas eles não, imaculados.
perfeitinhos , tão perfeitinhos.
e porque eu sou deprimida, e porque o meu discurso é incoerente , e porque não uso daquelas palavras sóbrias , e não pauso o meu texto com citações de autores mais ou menos desconhecidos, e porque eu não tenho piada, porque um mundo onde a piada existe, não é imaculado.
e não entendem o meu sofrimento, porque o meu sofrimento não tem razão de ser, porque eles podem ser infiéis, mas eu não, eu não posso errar, eu não posso defender-me.
só posso calar, calar , calar e ouvir com atenção a minha culpa, tão e tão imaculada
quarta-feira, 6 de julho de 2011
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