não quero mais sonhar.
nem lutar contra o mundo,
e contra mim.
vou desistir em breve, tal e qual um barco a afundar-se.
nao existem mais forças dentro de mim.
nem mais marés.
existe apenas uma revolta interior que mancha de dor o meu presente.
os meus pés estão descalços, o frio mata o meu corpo. sinto frio na alma e esse frio é ainda pior que o frio corporal dos dias de inverno.
sinto um gelo aterrador.
estou bastante conformada já com esta minha categoria inferior de pensar ou de agir. só me resta já desistir de verdade.
escuro. só vejo escuro.
e lágrimas salgadas que constroem a cada minuto o meu fado interior.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
domingo, 2 de janeiro de 2011
ilusão
hoje é dia 2. é meio dia. missa na tv. tédio na tv. desgraças com sorrisos na tv. ódio e terror na tv. a minha avó está a ver essa mesma tv, e eu acabei de a desligar na minha mente. quem me dera que se desligasse também na realidade.
sei o que quero para dois mil e onze. quero me sentir viva, ainda mais viva até que a própria vida. quero sorrir e esperar por ainda mais memórias, com aqueles que mais gosto. gostava que todas as pessoas que fazem parte da minha vida, soubessem o quanto eu as admiro e o quanto contribuem para eu me manter ainda viva.
o quanto fazem para me salvar da solidão que ameaça infernalmente todos os meus dias.
hoje é dia 2 e espero conseguir manter-me razoavelmente saúdavel por mais um ano. bem, mentalmente saúdavel por mais um ano.
tenho medo às recaidas, às minhas horriveis recaidas que por vezes me atiram para o fundo do poço. se há algo positivo nisto, é que uma vez no fundo do poço , parece bastante mais fácil a subida, a subida ao mundo real, o mundo ao qual nunca pareci pertencer.
ainda sonho com a felicidade , com a minha felicidade utópica, ainda espero por ela.
"Há apenas uma consolação: uma hora aqui ou ali em que as nossas vidas parecem, contra todas as probabilidades e expectativas, abrir-se de repente e dar-nos tudo quanto jamais imaginámos, embora todos, excepto as crianças (e talvez até elas), saibamos que a estas horas se seguirão inevitavelmente outras, muito mais negras e mais difíceis. (michael cunningham - as horas)"
um dia sei que vou deixar de sonhar, mas e enquanto essa hora não chega , sonharei o dobro, para compensar tudo o que me falta na realidade.
sei o que quero para dois mil e onze. quero me sentir viva, ainda mais viva até que a própria vida. quero sorrir e esperar por ainda mais memórias, com aqueles que mais gosto. gostava que todas as pessoas que fazem parte da minha vida, soubessem o quanto eu as admiro e o quanto contribuem para eu me manter ainda viva.
o quanto fazem para me salvar da solidão que ameaça infernalmente todos os meus dias.
hoje é dia 2 e espero conseguir manter-me razoavelmente saúdavel por mais um ano. bem, mentalmente saúdavel por mais um ano.
tenho medo às recaidas, às minhas horriveis recaidas que por vezes me atiram para o fundo do poço. se há algo positivo nisto, é que uma vez no fundo do poço , parece bastante mais fácil a subida, a subida ao mundo real, o mundo ao qual nunca pareci pertencer.
ainda sonho com a felicidade , com a minha felicidade utópica, ainda espero por ela.
"Há apenas uma consolação: uma hora aqui ou ali em que as nossas vidas parecem, contra todas as probabilidades e expectativas, abrir-se de repente e dar-nos tudo quanto jamais imaginámos, embora todos, excepto as crianças (e talvez até elas), saibamos que a estas horas se seguirão inevitavelmente outras, muito mais negras e mais difíceis. (michael cunningham - as horas)"
um dia sei que vou deixar de sonhar, mas e enquanto essa hora não chega , sonharei o dobro, para compensar tudo o que me falta na realidade.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
auto contemplação
vivo
logo
sofro
logo
penso
logo
invento
logo
escrevo
logo existo.
dou por mim a reencontrar o passado. reencontro e é engraçado, não choro , apenas penso. sorrio por dentro e consigo reflectir por instantes. dou de caras com a mentira. e com a manipulação dessa mentira sobre mim. dou por mim a encontrar o ódio de outras pessoas, que num passado não muito distante foram o meu presente. penso por instantes e concluo.
não me odeio tanto assim.
logo
sofro
logo
penso
logo
invento
logo
escrevo
logo existo.
dou por mim a reencontrar o passado. reencontro e é engraçado, não choro , apenas penso. sorrio por dentro e consigo reflectir por instantes. dou de caras com a mentira. e com a manipulação dessa mentira sobre mim. dou por mim a encontrar o ódio de outras pessoas, que num passado não muito distante foram o meu presente. penso por instantes e concluo.
não me odeio tanto assim.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Incoerência
sinto nojo de mim própria. não me sinto bem em lugar algum. errei em tudo o que pude errar. cometi todos os erros que me propus a deixar passar. mas agora, agora que me deixei levar por essa onda de pensamentos evasivos e consequentemente negativos, não consigo pensar já de outra forma.
por vezes deixo -me embalar por música, por vários minutos plenos de música. sinto-me a flutuar, nem me chego a reconhecer, apenas tento ser música, e só música. a felicidade então, percorre-me o corpo num arrepio e eu penso em voar. quero ser um pássaro, quero ser o próprio ar e ser aspirada pelos pulmões de outrém.
não tenho medo de morrer, só tenho medo de morrer sozinha, odiando -me e maltratando-me como quase em desespero de causa.
sinto a dor, sinto a dor. magoa-me entender tão bem este sentimento, quase tanto como senti-lo tantas vezes. por vezes não é bem dor aquilo que sinto, é mais a vontade de a sentir. de sentir que ainda sou capaz de sangrar. que ainda é sangue aquilo que me corre nas veias e não o vazio. tenho horror ao vazio, tenho horror a mim mesma. não me entendo.
qualquer dia vou desmaiar. sei o bem. irei desmaiar quando menos estiver à espera. vou encher os meus pulmões de ar e irei desmaiar. vou sentir as pernas a tremer e o vazio a encher o que sobra da minha cabeça. estou confusa. tudo isto me confunde terrivelmente .
estou a ficar doente de novo. e não sei se o quero aguentar de novo. sei apenas que tenho de aguentar pelo menos mais um dia. e mais outro e talvez depois isso se passe um mês, ou outro. não sei bem, não sei nada, e isso aterroriza-me.
no fundo é tudo mentira. no fundo é tudo verdade. e no fundo é tudo confusão, visto que eu própria sou a total incoerência.
"Making love with his ego Ziggy sucked up into his mind
Like a leper messiah
When the kids had killed the man I had to break up the band."
por vezes deixo -me embalar por música, por vários minutos plenos de música. sinto-me a flutuar, nem me chego a reconhecer, apenas tento ser música, e só música. a felicidade então, percorre-me o corpo num arrepio e eu penso em voar. quero ser um pássaro, quero ser o próprio ar e ser aspirada pelos pulmões de outrém.
não tenho medo de morrer, só tenho medo de morrer sozinha, odiando -me e maltratando-me como quase em desespero de causa.
sinto a dor, sinto a dor. magoa-me entender tão bem este sentimento, quase tanto como senti-lo tantas vezes. por vezes não é bem dor aquilo que sinto, é mais a vontade de a sentir. de sentir que ainda sou capaz de sangrar. que ainda é sangue aquilo que me corre nas veias e não o vazio. tenho horror ao vazio, tenho horror a mim mesma. não me entendo.
qualquer dia vou desmaiar. sei o bem. irei desmaiar quando menos estiver à espera. vou encher os meus pulmões de ar e irei desmaiar. vou sentir as pernas a tremer e o vazio a encher o que sobra da minha cabeça. estou confusa. tudo isto me confunde terrivelmente .
estou a ficar doente de novo. e não sei se o quero aguentar de novo. sei apenas que tenho de aguentar pelo menos mais um dia. e mais outro e talvez depois isso se passe um mês, ou outro. não sei bem, não sei nada, e isso aterroriza-me.
no fundo é tudo mentira. no fundo é tudo verdade. e no fundo é tudo confusão, visto que eu própria sou a total incoerência.
"Making love with his ego Ziggy sucked up into his mind
Like a leper messiah
When the kids had killed the man I had to break up the band."
domingo, 26 de dezembro de 2010
sábado, 25 de dezembro de 2010
tinta da china
Adorava poder entrar no espirito natalicio e conseguir desejar um feliz natal a toda a gente da minha lista telefónica. juro que adorava ter coragem. ter paciencia e escrever algo bonito. algo profundo. algo. apenas algo. nem que fosse apenas um optimo natal.
mas...
algo me impediu. não entendo ainda muito bem o que foi. algo me repeliu a cometer tal loucura infundada.
não sei muito bem o que é isso de desejar. muito menos o que será desejar um feliz ou um bom natal a alguém.
se não sou feliz como poderei entregar felicidade gratuita a alguém?
talvez não o possa fazer, mas talvez o tente.
às vezes. tudo tem dias, até as próprias horas...
mas...
algo me impediu. não entendo ainda muito bem o que foi. algo me repeliu a cometer tal loucura infundada.
não sei muito bem o que é isso de desejar. muito menos o que será desejar um feliz ou um bom natal a alguém.
se não sou feliz como poderei entregar felicidade gratuita a alguém?
talvez não o possa fazer, mas talvez o tente.
às vezes. tudo tem dias, até as próprias horas...
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
solidão
não vejo já ninguém aqui. as vozes que ouvia outrora, parecem agora dissipar-se no ar. Tento em vão falar, mas as palavras voam para longe. bem longe de mim. e eu peço que nada piore. mas tudo me mata. e nem mesmo a felicidade permatura dos dias solarengos, aquece a minha alma .
sinto-me confusa. Não vejo ninguém. sinto um medo imenso à solidão.
fumo um cigarro, fumo outro, bebo um café, acordo e volto a dormir. tento comer alguma coisa mas as sombras tiraram-me o apetite. vomito. vomito palavras para o ar e falo sozinha. estou a enlouquecer. e a tristeza que sinto faz-me não sentir nada mais.
ligo a luz do quarto. tento acabar com a forte falta de luz na minha vida. não é suficiente. abro a janela. deixo entrar algum ar. queimo incenso. queimo incenso. queimo incenso. livros no chão, que atropelo. ouço algo dentro de mim a zumbir. cada vez mais forte, cada vez mais intenso. paro de respirar. paro de falar sozinha. as luzes apagam-se por fim.
o som, esse som vem dentro de mim. tudo à minha volta é um vazio. um vazio cheio de nada. e no meio desse nada, eu sou a multidão.
sinto-me confusa. Não vejo ninguém. sinto um medo imenso à solidão.
fumo um cigarro, fumo outro, bebo um café, acordo e volto a dormir. tento comer alguma coisa mas as sombras tiraram-me o apetite. vomito. vomito palavras para o ar e falo sozinha. estou a enlouquecer. e a tristeza que sinto faz-me não sentir nada mais.
ligo a luz do quarto. tento acabar com a forte falta de luz na minha vida. não é suficiente. abro a janela. deixo entrar algum ar. queimo incenso. queimo incenso. queimo incenso. livros no chão, que atropelo. ouço algo dentro de mim a zumbir. cada vez mais forte, cada vez mais intenso. paro de respirar. paro de falar sozinha. as luzes apagam-se por fim.
o som, esse som vem dentro de mim. tudo à minha volta é um vazio. um vazio cheio de nada. e no meio desse nada, eu sou a multidão.
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