quinta-feira, 29 de março de 2012

ela disse -lhe ao partir que já mais se esqueceria de todas as promessas que havia deixado para trás. ela disse -lhe que o tempo voava e que tudo voltaria depressa a ser tudo de novo outra vez. ela encheu-lhe o corpo de abraços e de sorrisos e de mentiras que eram tudo menos mentira e só e apenas verdade na sua cabeça. ela agarrou-lhe a mão e sorriu muito baixinho e partiu sem olhar uma vez mais para trás.

ela esqueceu-se de tudo ao partir e o partir foi tudo o que bastou para o tempo não mais voar atrás das esperanças que um dia corroeram o seu corpo.

segunda-feira, 5 de março de 2012

um dia em março foi quanto me bastou para esquecer tudo o que devia esquecer.

mentira. é te impossivel esquecer. recordas cada segundo como se fosse o teu último.

discordância de tempo.

inconstância de passado.

eu tento esquecer. eu tento esquecer o tempo. o tempo não passa por nós. o tempo não me destrói. eu quero sentir a dor do esquecimento.

mágoa.
mágoa.

um dia em março foi quanto me bastou para que me recordasse de tudo o quanto havia conseguido esquecer.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

black

disse ela enquanto escrevia algumas linhas no seu quarto - "quando morrer amanhã de manhã quero que todas as folhas gritem o meu nome, quando for já de noite"
disse-lhe pelo canto de todas as palavras que tinha já alinhadas - "não vais morrer"
sentou -se a meu lado - "amor, já nada é o mesmo. já tudo desapareceu. por isso escreve com a tua caneta o meu nome, e canta-o quando desaparecer."

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

kc

- adeus
- vais embora.
- vou.
- para onde?
- para longe, longe daqui .
- não te quero longe.
- não me queres perto.
- eu tenho medo.
- e não temos todos medo ?
- o meu é maior que o teu.
- não estás aqui para o sentir.
- não o quero sentir.
- eu vou embora.
- não me deixes aqui sozinha.
- e a mim quem me protege?
- eu, eu protejo.
- tu tens medo. tu tens medo que eu vá ou que fique. eu devia ficar aqui parada.
- então fica. mas pelo menos tenta, tenta ficar por aqui . só mais um dia. não, não te vás.
- eu fico .
- obrigada.


partirei sem avisar- pensei em segredo enquanto respirava fundo no seu abraço.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

deixa de ser tu e serás tudo.
deixa de fazer o que gostas e serás tudo.
deixa de caminhar ao teu ritmo e usa o ritmo dos outros e serás tudo.

deixa de pensar e serás, serás tudo, tudo aquilo que não representa o todo que deverias ser. porque o tudo está em seres tu e só tu mesmo.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

foge foge comigo. eu e tu para longe. longe da praia para outra praia e ainda para uma outra mais longe.longe de tudo e só e apenas com o nosso sol.
foge foge comigo - gritas-te. eu não podia e fugi de mim. e fugi da vontade que tinha em fugir contigo. na tua mão apenas a oferta e eu fugi para nada aceitar.

eu não posso fugir . eu não posso querer escapar daqui. não contigo. nunca contigo porque nada é suficiente. nada chega ao teu nome, aos teus olhos e à tua boca. nada é suficiente. dentro de mim tudo me grita- foge! mas eu não tenho a força para te arrancar sorrisos.

agora nesta praia onde me sento e escrevo rasgo folhas cheias de letrinhas para ti. atiro-as à agua mas todas elas voltam nas ondas até mim.

voltas sempre ao meu pensamento irremediavelmente.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

em sonhos e só em sonhos te sinto perto, te sinto perto de mim.

por isso quero dormir e só acordar na realidade que apenas os meus olhos fechados conseguem ver.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Menina, menina de olhos escuros, eu sei que o mundo é um inferno, eu sei que o mundo nunca foi o teu lugar.
menina, menina de sapatinhos escuros, e roupa escura e cabelo escuro, eu sei o que sentes, eu sei o medo que sentes sempre que acordas sufocada com as lágrimas a meio da noite.

menina, menina de olhos tristes, sou eu , sou eu que te abraço quando chamas e gritas por um rápido final.

sou eu , que na tua alma te faço esperar por mais um dia.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

eu só choro agora porque não há mais pele que doa em meu corpo.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

parei no meio da estrada. tudo corria lento e o vento doia-me nas orelhas. rasguei a camisa preta e pude sentir o frio no peito. todo o meu sangue corria quente e os meus olhos latejavam de um vermelho duro e sentido. toquei com o dedo o suor que me corria na testa. não era suor. não era suor. era chuva . chovia e a camisa ensopada molhava-me o corpo.
o meu corpo já não se enterrava no asfalto e a na estrada vazia apenas se ouvia o som dos meus passos.
tenho na mochila roupa para os dias mais frios tudo bem condicionado batendo o peso nas minhas costas.
por enquanto continuo parada aqui, as minhas pernas ainda não desataram a correr desenfreadas mas sei, eu sei que em breve nada do que resta de mim ficará para contar a história dos dias lentos que vivi nesta estrada.