sábado, 1 de outubro de 2011

marlboro 1.0

a cura está em mim e só em mim. fumo um cigarro e parto no fumo também. a cura está no sopro também. a solidão fortalece e os cigarros continuam imortais mas tu partis-te e a tua onda de vapor não passa mais de mera recordação feliz. a cura está no adeus. a cura está no adeus.

hoje deixo o meu coração para trás.
hoje deixo o teu amor para trás.
hoje deixo o teu fumo para trás.

tudo se repete, até a minha felicidade.

domingo, 18 de setembro de 2011

a morte

mata-me de um sopro, mas mata-me.

mata-me, até não ouvir mais, do mundo preciso apenas de um final, nada mais do que isso.

insistes e dizes: vive. eu não quero , não posso, e não quero, e de novo te digo: mata-me. cruzas o teu punhal sobre a minha face, mas recuas, a medo e com medo me dizes: vive.

eu perdoo-te, tudo eu consigo por fim perdoar, desde que o teu veneno me corrompa por fim. eu há muito deixei de viver, há muito deixei de te ouvir dizer : vive.

por fim, das tuas lágrimas vislumbro a minha e única resolução. se é de morrer que vivo, mais vale desaparecer.

eu morri mas continuas a caminhar sobre a minha pele, a minha pele tão gasta das memórias, dos dias gastos a viver na sombra e nos buracos, sem conhecer manhã ou luz na alma.

eu morri, e por último te deixo , o meu eco:

"em vão, te prometo meu amor, hei-de sempre viver no silêncio das tuas palavras."

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Nada mais a dizer

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

hoje lembrei-me de quanto posso ainda odiar.

de quanto te posso ainda odiar.

e pensar que um dia foste tudo.

agora já não és mais que um dia.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

se a poesia é a casa
eu quero ser o fantasma
que te persegue em dias
de maior calor

sente, sente meu amor
o fervor
com que a saudade
me faz desejar até ao mais infimo do teu corpo
pedaço divino
que me entregas quando faltam as palavras, quando faltam os beijos, quando falta tudo menos o desejo
pois esse meu amor é imortal
infernal
como o teu sangue corrompido
despido de noite
e vazio, vazio de pudores de menina de liceu

filho da puta de breu
da noite que já nem os olhos enxergo

se sou poeta é para bramir aos céus que te amo
femea fatal impura
desde a cama
até à pedra dura
do chão
onde gemes segredos
segundo perceitos que tu própria inventas ao meu ouvido

dizes: é para ti, para ti que grito poeta

se na amargura confiasse em ti

certamente não seriamos mais corpos mas sentidos.

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"Não acredito que duas pessoas poderiam ter sido tão felizes quanto nós fomos.
"

domingo, 4 de setembro de 2011

Fogo

eu tenho força, eu sou a força, a tua força, a dor que trazes no peito. nada mais temo ser, do que fogo para encher todos os teus vazios de força.

nada mais, nada mais sou do que fogo, e se a vida fosse toda a tua água, de certo não mais eu existiria.

eu luto . eu tento lutar. em vão luto, e nada muda. porque no fundo eu sou apenas fumo. apenas cinza, besta vulcanica adormecida.

serei fogo quando atingir bem ao longe a tua calma.

serei fogo quando vencer sozinha a tempestade.

serei fogo quando as minhas mãos queimarem o meu coração gelado.

serei fogo quando o mar se abrir, quando tudo se misturar em mim.

so assim,

serei fogo, serei fogo em ti.

terça-feira, 16 de agosto de 2011



odeio estas putas. esta gente.
odeio as tanto.
sim odeio-as.
não as conheço mas sim, odeio e odeio e vou sempre odiar, porque para mim não valem nada.
nada vale nada, tudo chegou ao zero, cada vez ao zero, cada vez menos tudo o que eu sonhei.
eu já não sonho.
eu já não sonho com as putas que entorpeciam os meus passos. que faziam gritar velhos no cio, e que me olhavam de esguelha como se o mundo fosse meu. que a inveja é o que corroi a humanidade.
como as odeio, putas.
putas tanto putas como na minha melancolia. já não é tristeza , é suicidio. já sou angustia porque de outra forma cansa mais, desgasta mais e mata mais.
putas.
sou tão puta quanto elas , putas , empacotadas e enrrafadas, enlatadas e rotuladas numa qualquer prateleira, numa qualquer merda assim.

sábado, 30 de julho de 2011

são heróis e mártires porque nunca erram. nunca erram e nunca erram comigo, porque eu , sim eu, erro mais e mais e nunca acerto. porque eles e elas não têm telhados de vidro, e porque os meus pés e braços estão em chagas e os deles, bem os deles, permanecem imaculados.
e porque eles dão sempre a volta a história, e fazem e refazem tudo como querem, e porque a vontade deles é mais forte, sim é mais forte que os meus pés, e porque os meus pés acabam sempre em sangue. mas os deles, os deles não, permanecem quase sempre imaculados.
perfeitos, tão perfeitos.
e porque eu sou analfabeta, e sofro de iliteracia, mas eles por contrário , são vastos e percorrem o mundo, e eu sou a culpada dos dissabores, mesmo que por eles causados, porque eu sou má , sou besta, mas eles não, imaculados.
perfeitinhos , tão perfeitinhos.
e porque eu sou deprimida, e porque o meu discurso é incoerente , e porque não uso daquelas palavras sóbrias , e não pauso o meu texto com citações de autores mais ou menos desconhecidos, e porque eu não tenho piada, porque um mundo onde a piada existe, não é imaculado.
e não entendem o meu sofrimento, porque o meu sofrimento não tem razão de ser, porque eles podem ser infiéis, mas eu não, eu não posso errar, eu não posso defender-me.
só posso calar, calar , calar e ouvir com atenção a minha culpa, tão e tão imaculada

quarta-feira, 6 de julho de 2011

se me matas agora, quando já estou podre, é porque a força há muito secou do teu corpo. dantes tinhas tanto vigor, tanta força de vontade, agora já nada sobra da tua máscara de golias.

ah! golias. é tão bom chamar-te gigante , quando sei, bem no fundo, que nada mais és do que torpência abrupta.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

quatro

ser feliz e tão feliz no acto de te perder.

ser feliz e tão feliz na ânsia de te encontrar, de novo, de novo, de novo, de novo.

e de novo, ali estás, de pé, ao lado do teu próprio mar de mágoas, chorando lágrimas incolor ao som do teu paradigma, ao som das tuas palavras, ao som mártir do teu amor sentido, por mim tão sentido.

sentir o teu cheiro de novo, é morrer mais uma vez, é padecer novamente por ti.

leva-me, que a força do meu braço torpe é menor que o sentido das minhas palavras.