sábado, 5 de março de 2011

desequilíbrio

entro por vezes num mundo de contrários, em que o certo é já incerto e o errado mistura-se com os entre meios.
duvido porém da forma incauta, como sem o saber, por lá entrei. provavelmente cheguei até ele por meu próprio pé. pé esse, que a cada passo se tornava mais denso, mais forte, mais confuso.
tudo me parece desfocado. muito mais concreto seria a minha mente se não estivesse já obstruída com tanta dor ou com tanta intrusão.
sinto os furos e as cordas e as correntes que me prendem ao chão. ao meu lado um vortex luminoso que me tenta sugar até ao seu centro, até uma nova e diferente dimensão.
fecho os olhos . abro-os momentos depois. tudo parece diferente. sinto diferença em todas as pequenas coisas, em todos os pequenos pedaços de vida à minha frente.

-não és real.
- sou real.
- não te sinto aqui.
- mas eu estou presente.
- ouço-te e no entanto estás tão distante.
- nunca estive tão próximo.
- não és real.
- mas sou eu quem te guia.

quarta-feira, 2 de março de 2011

a realidade, a realidade.. só me lembro de sentir a realidade bem junto aos meus dedos para a perder , segundos depois.

nunca antes havia pressentido tamanha falta desse sentimento que tento tantas vezes aniquilar. dei por mim a desejar voltar , voltar ao velho presente, mas na minha cabeça só via passado, passado já transformado em vazio.

e que frio eu senti, quando a dor penetrou em meu corpo ...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

o azul morreu há já tanto tempo, que apenas tu te lembras das marcas imaginárias que ele te deixou na alma...

sábado, 5 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Sometimes I forget

that one mistake actually leads to another one

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

sabes, apesar de tudo, eu não te odeio.

e não, não o consigo fazer.

apenas,

morreste atropelada por cinco autocarros plenos de utentes de média idade na minha cabeça.

=)

domingo, 23 de janeiro de 2011

não há palavras que descrevam a dor lacerante dos sentidos ao entender que o mundo não gira todo com a mesma intensidade.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

expansão

não me importo de ser lua se a luz que me iluminar for mais intensa que o próprio sol.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

pensamentos

viva os subsídios, os altos vencimentos, abonos, baixas médicas, loucuras, faltas justificadas, subidas prematuras nas carreiras, docentes, discentes, pessoal dependente, lê, respira, lê não respires, sossega, para a rua, lê, sossega, murmura, sensível serás, atroz te tornarás, no próximo, horrível, magoado, intervalo, fuma, fura, respira, cigarro fumado, perpetuado, entrada, sala docente, macabro, salário mal parado, não sabes, não falas, teste, próxima semana, bastilha, frança, marcador no quadro, caderno, caro, lapis aguça, montanhas de trabalhos, telémovel, telémovel, sentes-te rejeitado, de novo, magoado, de novo, massacrado pelos colegas, declaras,não pagas, almoças , não pagas, adeus , não há nada, vida, esforço, a mentira dura pouco, nos desenhos, tua alma, tentas, tentas, falhas, não consegues, inventas, não entendes, nasces de novo, nasces sozinho, vivas os subsídios, os altos rendimentos...

domingo, 16 de janeiro de 2011

os meus sentimentos são todos ambíguos. sinto, sinto e sinto. nada mais que isso. sinto também o pensamento latejante , pulsante , lacerante que pulsa desde os ossos até às veias.
na tristeza sucumbo ao poder que o meu fogo produz. o fogo lento consome quase sempre ( e para sempre ) o núcleo inconstante da minha alma.
já não tenho tempo para nada. não tenho já fome para nada. já não há vontade para nada.
questiono-me. porquê? ouço a resposta, bem ao fundo. quero perguntar de novo. não julgar e saber de facto e em facto a resposta à minha dúvida.
julgo saber no entanto que o meu texto corrido em nada ajuda à minha angústia. sinto-a há já alguns minutos. minto, horas. não, não, talvez já há anos. já tudo me parece demasiado confuso para me precipitar agora em nexos lógicos.

julgo manter esperança numa especie de salvação. num braço amigo. na ajuda suprema da valorização. acredito demasiado no ser humano, acredito demasiado no amor humano.

talvez seja o amor, o poder que me mata.